Testemunho de Vida


“Ser mãe de uma criança com Trissomia 21″…

Tinha 22 anos havia perdido a minha mãe que tanto amava, parecia que algo dentro de mim também morria junto com ela.

Na verdade, tinha que ultrapassar esta dor imensa, para tal procurei nas amizades, nas diversões e numa vida fútil preencher o vazio que me arrasava dia após dia. Foi neste contexto que me apaixonei, infelizmente pela pessoa errada, namoramos acerca de 6 meses depois acabamos, passado 1 mês soube que estava grávida.

Foi assim que começou o meu pesadelo, o pai queria que eu fizesse um aborto, para mim isto estava fora de questão, até porque eu sou contra o aborto, tudo fiz para que a minha gravidez fosse bem sucedida, ia todos os meses às consultas de gravidez, era seguida pelo Dr. Luís Jorge de Oliveira. A gravidez corria bem, tinha o apoio da minha família e o que eu mais queria era ter um filho com saúde e sem defeito.

Até que chegou ao dia do meu bebé nascer, fiz cesariana e o meu filho foi levado para uma incubadora por ter complicações no parto. Estava tão feliz, porque o meu filho tinha nascido, mas um pouco receosa pelo facto de ele estar na incubadora, contudo, mantinha pensamento positivo, pensamos sempre que as coisas más nunca nos acontecem.

Quando ia ver o meu filho não notava nada de diferente nele, nos olhos de mãe achava-o lindo, na verdade para mim ele continua a ser lindo. Mais tarde, percebi que algo de errado se passava com o meu filho, as pediatras, as enfermeiras e o pessoal auxiliar aos poucos iam me dizendo o que se estava a passar, mas no início não queria acreditar, pensava que elas estavam a exagerar, havia um engano não podia ser. Até que fizeram um teste para comprovar a sua patologia.

No início senti uma dor tão grande e ao mesmo tempo uma revolta e pensava “ porquê eu? Porque tinha que acontecer mesmo a mim? Já não bastava ser mãe solteira, ter que criar um filho sozinha, ainda por cima com problemas?”.

Naquele momento tudo me parecia negro, não conseguia pensar em coisas boas, só pensava no pior. Chorei tanto, orei tanto a Deus, estava realmente desesperada, perdida  e só. Chegou o momento de levar o meu filho para casa, para o mundo encantado que criei com todo o conforto, carinho e amor para receber um novo ser.

Devo confessar que no início pouco sabia de Trissomia 21, tive muito apoio da intervenção precoce, da minha família e amigos. Hoje sinto-me feliz, claro gostaria que o meu filho fosse uma criança sem problemas, gostava que as coisas tivessem sido diferentes. Na realidade aprendi que somos todos diferentes, temos é que aprender a respeitar e aceitar essas diferenças, o mais importante é lutarmos para sermos pessoas felizes e fazermos felizes quem nos rodeia.

(Anónimo).

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